domingo, 10 de maio de 2009

Vila Maria - Gondomar


Uma casa que já só existe na memória.
Uma casa de "brasileiro", que, no seu género, era única em S.Cosme, Gondomar.

Curiosamente, o verdadeiro emigrante retornado, o Avó Aguiar queria comprar uma quinta antiga, com uma lindíssima casa, onde está agora o colégio dos Capuchinhos. E foi a mulher,que só transitoriamente morou no Brasil, que colocou objecções. Achava a quinta isolada, longe do centro.
As distâncias são coisa relativa: essa propriedade fica a dois passos da Câmara Municipal, e, por sinal, até perto da velha moradia dos bisavós (também ameaçada de destruição, a breve prazo - muito embora, neste caso, esteja, há muito, longe da sua traça originária).
Outro devia ser o motivo. Talvez a Avó quisesse casa nova, feita a seu gosto. Como aconteceu. Ninguém apreciou e gozou tanto a "Vila" que levava o seu nome, como ela. Nem, mais tarde, se queixava, de que era demasiado grande e difícil de manter, quando os filhos já tinham dispersado, e faltavam, em número e qualidade, os empregados que houve durante décadas.
O passado foi sempre maior do que o presente. A euforia , o buliço dos tempos do Avô . e dos meninos pequenos - e tantos! Boas recordações.
Aí nasceu a sua última filha, Maria Madalena, e cinco netos - António José, Mário, Maria Manuela, Maria Alexandra.
Uma infinidade de festas rituais, "compassos" de Páscoa, natais, com dezenas de convidados à volta da mesa. Baptizados, casamentos. Visitas contantes de padres e freirinhas. Organizações da paróquia. Ensaios de coros, com uma das filhas, ao piano (todas muito dotadas e sempre voluntárias para cantar e tocar).
Fica a casa associada a uma área de música, à correria das crianças, à beleza dos jardins de rosas, ainda dos tempos do Avô António - rosas de exposição, algumas premiadas, todas etiquetadas, com as suas chapinhas metálicas, que a Avó não deixava ninguém podar ou cortar. Só ela. Derradeira homenagem ao marido, tão cedo desaparecido.
A comparar a casa de "brasileiro" António, em Gondomar, a casa do português João Aguiar, seu irmão, no Rio de Janeiro, na Rua de Payssandú.

E, depois, alguns momentos vividos na Vila Maria, ao longo de 70 anos - até 1980.
A primeira imagem da Via Maria é uma foto de família, em que se vê mais a casa do que as pessoas... A menina do laçarote branco, sentada na varanda, é a minha mãe (Maria Antónia).

12 comentários:

  1. Não há ordem cronológica...
    Começa, no fim dos anos 20, com o Avô António e as duas filhas quase gémeas, entre as rosas, ao fundo o muro, ainda muito branco (no meu tempo, era cinzento).
    Depois uma foto de grupo, no Natal de 42. A crinaça ao colo da avó maria sou eu, com 6 meses.
    No grupo, junto ao poço, estão o Tónio e o Mário, com um cão fox.
    O Casmaento da Tia Lina, mais abaixo, os meus pais, no dia do casamento...

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  2. Fotos de Páscoa, entre páscoas. A mãe teria 12, 13 anos. Os pequeninos são o Tónio e o Mário...

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  3. Páscoa, décadas depois, em sessenta.
    A Avó, com a Tia Lola e família.
    A Máe, Lecas e eu com o belíssimo cão do Mário.
    O que viria a ser dado aos Capuchinhos. Sabemos que mordeu um frade.
    O que lhe terão feito? Como franciscanso, deviam perdoar, mas creio que não foi bom o fim da história...
    Prefiro lembrar, apenas este dia feliz, para ele e para nós!

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  4. A mãe e eu, com poco mais de 20 anos - uma em cada foto, óbviamente...

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  5. Foto de grupo do casamento da tia lola - que também está na foto em que apareço, recém- nascida, ao colo da mãe, com o pai e a avó, ao lado.

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  6. A Madalena entre as páscoas. Já com dois ou três anos, comigo, em dias de festa.
    Avó, Tia Rozaura, sempre de escuro trajadas...
    Em domingo de ramos, a tia clara em primeiro plano - ainda muito bonita!

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  7. O Baptizado do Tozinho - ao colo da Avó Lina!

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  8. Natal, depois a Páscoa, em tempo eleitoral, após a revolução.
    O João Miguel como porta bandeira...

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  9. A Avó com a Lecas e comigo - nós fardadas de doroteias...
    A Avó na escadaria da casa...
    A Docas, em domingo de Páscoa - 69?
    A Avó, a cores, entre as suas rosas.
    A Avó, com um dos seus chapéus discretos.
    A Avó, a despedir-se do padre, à saída do compasso.
    A Avó comigo , Manel e Tozinho, no dia 14 de Agosto de 1965...
    Nó, Bia e Manelinha, em dia de Páscoa, anos depois...

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  10. Uma das últimas fotos da casa, tirada por mim, do lado do mirante, face à rua.

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  11. Que bom foi recordar...Brinquei muitas vezes nos jardins da Vila Maria!
    Tinha lindíssimas rosas que o tio Alexandre cuidava com muito carinho!
    Lembro-me de andar com um cestinho enquanto ele colhia com todo o cuidado as mais bonitas para a tia Hermínia sua esposa:)
    Bjnhss, Manuela!

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