quarta-feira, 10 de setembro de 2008
21W - ANTÓNIO JOSÉ BARBOSA AGUIAR PEREIRA

UM AGUIAR MÍTICO E SAUDOSO
Nasceu no dia 10 de Setembro de 1931, na Villa Maria, em S. Cosme Gondomar.
Faria hoje 77 anos.
O meu primo Tónio, como eu o chamava, ou Toninho, para muitos outros, na família, foi , na sua geração, a quinta essência da divertida "lenda" dos Aguiares (abrangendo, como sabemos, os Barbosa, Ferreira Ramos e mais apelidos do lado da Avó Maria...).
Fazia coisas extraordinárias, nunca antes tentadas por antecessores de renome. Grande empreendedor de brincadeiras aguerridas e barulhentas, de que eu muito beneficiei! E, no minuto seguinte, podia estar ao piano, a tocar, de ouvido, qualquer música, clássica ou "pop", ou a dar vida nova a canções ou a áreas de ópera, com a sua assombrosa voz. Depois, podemos imaginá-lo a partir a louça toda - e não como figura de retórica: louça mesmo, da cozinha da Avó ou da Mãe. Um dia, até exclamou, perante uma apreensiva criada: "Hoje ainda não parti nada!" E, rápido, antes que ela esboçasse um gesto de resistência, lançou mão a uma pilha de pratos bem lavados e fez um monte de cacos no chão de mosaico. (não sou testemunha ocular do evento, que ficou para sempre na memória da Avó, que o adorava e achou graça - ainda não era nascida, mas haveria de o imitar muitas vezes, até no refeitório do colégio...). Do que me lembro é do enorme ruído que o Tónio e o Mário, em dueto, conseguiam fazer, descendo, simplesmente, as escadas do 1º andar: pareciam um exército! Ou dos seus jogos de ping-pong na comprida mesa da sala de jantar, a impulsionar a pequena bola branca , com uma tal destreza e "violência", que eu fugia para longe, convencida de que a bola, àquela velocidade, era uma verdadeira bala! Ai de quem apanhasse uma bola, ou bala, perdida...
O Nestó e eu , com menos 11 ou 12 anos, éramos os "aprendizes", e sofremos o rigor de algumas "praxes", na grande escola lúdica e desportiva da "Vila Maria". Aguentamos, firmes, considerando um privilégio partilhar as aventuras dos mestres (o "comandante" era o Tónio, mas o Mário nunca desafinava... Tínhamos ao dispor um espaço ideal para correrias, fugas e esconderijos, em exercícios por eles inventados para nós. Foram tempos esplêndidos!
De repente, tudo mudou. O Tónio adoeceu. De novo, a tuberculose, como na geração da Avó. E, mesmo com recurso a penicilina, um caso grave, por contágio, no colégio João de Deus, tardiamente detectado. Ele tinha 17 ou 18 anos, era eu criança, fui, como regra geral, proibida de o visitar, mas a minha mãe, às vezes, levava-me com ela, quando ia vê-lo, quase todos os dias. Para o alegrar, eu presenteava-o com os meus horrorosos desenhos, com os quais ele se ria, perdidamente! Era, ele próprio, um talentoso desenhador - de carros, sobretudo Teve, sempre, uma paixão por carros! O meu tema favorito era retratar matronas, com grandes cabeleiras e chapéus exóticos - de perfil para ser mais fácil...
Felizmente recuperou depressa, tratado pela mãe, em casa. E, mesmo que já não galopasse pela escada acima e abaixo, tinha - teve sempre! - a mesma graça a contar histórias, a mesma alegria a cantar, o mesmo "carisma", com os pequenos, com toda a gente.
E, um dia, apresentou-nos a mulher mais bonita e mais elegante que imaginar se pode. Estava apaixonado. Ia casar com ela: a Xaninha. minhota de Barcelos. Uma simpatia, ganhou, rapidamente, simpatia geral
Nenhum outro Aguiar desta geração foi pai de tantos filhos, bonitos e talentosos - sete! Avô de tantos netos, por nascer no seu tempo de vida! Como eles gostariam dele! Esperamos contribuir para que o fiquem a conhecer melhor!






























12 comentários:
O papá era um ser humano com tantas qualidades... fé, grande responsabilidade, sensível, generoso, inteligente, amigo...sempre pronto a ajudar!
Como sinto falta do teu abraço, como sinto falta da tua protecção! A teu lado estava segura! Fazes-me falta!
Muita saudade...
Muito obrigada por, ao correr da "pena", traçares tão bem o perfil do papá. Era isso mesmo e muito mais. Este teu pontapé de saída é um desafio à família e amigos para nos contarem os testemunhos deste Aguiar multifacetado.
Concordo com a Bia, quando fala da falta que nos fez, faz e continuará a fazer. A sua partida prematura, para quem tinha 16 anos acabados de fazer, como eu, foi, até à data, o maior desgosto da minha vida. Deixou marcas. Marcas, muito, muito profundas, de tal forma, que, de uma ou de outra maneira, condicionaram as nossas vidas. Como estou a ficar com um nó na garganta, é sinal para parar. Papá tenho muitas saudades...
Da tua filha Nózinha (como me chamava, bem como "vidrinho de cheiro", quando eu amuava!)
Quanta saudade...
Tu sabes que eu sou uma chorona, e mal abri o blog as lágrimas caíram-me sem eu querer...que saudades tenho de ti!...a falta que nos fazes!...Como adorava que estivesses connosco para conheceres a neta linda que eu te dei!...ias ter orgulho nela, eu sei!!!
Bom, vou- me deixar de choradeira e relembrar a todos o Papá maravilhoso que tive, meigo, inteligente, generoso, arreliador, brincalhão e de muito, muito bom coração, que amava, acima de tudo e de todos, a sua família.
Eu era a "filhésas" era assim que me chamava quando me queria arreliar, se não, era a Lézinha ou Lélé, a quem ela achava imensa graça. Achava-me parecida com a sua mãe (avó Lina), segundo ele, a terceira de sete era, de todos, a mais refilona, alegre e chorona. Com o meu jeitinho, eu dava-lhe a volta depressa, e ele ficava derretido!
Muito mais haveria que contar...mas...
Tenho muitas saudades!
já agora:
Manela, não nos queres contar a história do gatinho que o meu pai e o Tio Mário atiraram pela janela?
Disseram-me que eles queriam que o gato voasse? É verdade?
Saudades...
OBRIGADA MANELA por estas “memórias”...
kika
Qd menos esperamos, temos o grande Tabu "morte" à porta e não sabemos e não estamos nem nunca estaremos preparados para o "entender"...
Olhemos à nossa volta, e pensemos bem naqueles que já "partiram", deixando imensa saudade e fazendo tanta falta!
É fantástico, como hoje, presente, é possível homenagearmos os nossos, que estão perto e vivos. Amanhã, "logo", não sabemos o que Deus nos guarda. Não há uma noite, em que, antes de adormecer a Laura, uma manhã, antes de acordar ao seu lado e ver os seus lindos olhos a sorrirem para mim, não lhe diga que a AMO! E assim, deveria ser sempre, independentemente da idade, sexo ou religião. Por isso, o carinho e amizade que tenho por Vós, sendo uma forma de Amor, permite-me dizer-vos que vos amo.
De facto,o papá detestava que lhe levassem os filhotes. O Tio João, como um bom british, não se pronunciava, a Manela falava, falava, mas para o meu pai tudo caía em saco roto. Só a Tia Jijinha, que ele adorava, o conseguia convencer, não a dizer sim, mas a não dizer "não", o que era diferente! E conta a minha mãe, que depois dos "raptores" partirem, o mau pai muito triste dizia: - Oh Xana, não sabias dizer não! Eu não gosto que me levem os meninos". "Não tiveram, quando podiam, e agora vêm "roubar" os filhos dos outros - dizia triste e amuado. Ao que a minha mãe, que era tímida, retorquia:
- Toninho, como posso fazer isso, são os teus tios!
Este é só um episódio. Há mais. Aos poucos, vamos registando para deixarmos para os nossos descendentes, que não o conheceram, nem conhecerão.
E também dá para perceber, pelas fotografias, que era um rapaz muito divertido!
Tété